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sábado, 2 de janeiro de 2016

Depois de um 2015 brilhante, Guilherme Guido foca medalha olímpica


Dois recordes sul-americanos e um recorde pan-americano nos 100 metros costas. Para Guilherme Guido, 2015 foi o melhor ano de sua carreira. Mas a expectativa é que 2016 seja ainda mais positivo, afinal de contas, o nadador limeirense disputará sua segunda Olimpíada, agora em casa.

Com o tempo de 53"09, Guido conquistou índice para os Jogos Olímpicos, em seletiva realizada em Palhoça, Santa Catarina. Foi o melhor tempo de sua carreira, três centésimos a menos do que havia registrado na abertura do Revezamento 4 x 100m medley, que rendeu a medalha de ouro ao Brasil nos Jogos Pan-Americano de Toronto, no Canadá. Na mesma competição, Guido completou os 100m costas em 53"35, tempo suficiente para lhe render a medalha de prata.

Frequentar o pódio virou rotina na vida deste limeirense de 1m94, revelado no Gran São João e que há 13 anos defende o Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo.

A última Olimpíada de Guido foi em 2008, em Pequim, na China. Nos 100m costas, o limeirense foi apenas o 22º, enquanto nos Revezamento 4 x 100m medley, o Brasil terminou em 9º.

Para os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, Guido mudou de técnico e foi morar em Barcelona, na Espanha. Em razão da carga excessiva de treinamento, o limeirense lesionou o ombro.

Mesmo assim, na base do sacrifício, participou da seletiva, mas ficou longe do índice olímpico, ficando de fora da competição. "Foi o momento mais complicado da minha carreira. Você treinar o ano todo e ficar de fora do maior evento esportivo é muito ruim, para não dizer traumático. Tive que ser forte para não desistir de tudo. Nem assisti a Olimpíada pela televisão. Se você me perguntar algo sobre Londres, não saberia te responder nada", confidenciou.

Apesar de abatido, Guido deu a volta por cima. Riscou 2012 da sua agenda e focou 2016. Os resultados voltaram a aparecer, claro que na base de muito esforço e dedicação.

Nos Jogos Mundiais Militares na Coreia do Sul, o limeirense ganhou o bronze nos 100m costas e o ouro no Revezamento 4 x 100m medley. Apenas no Mundial de Kazan, na Rússia, Guido voltou sem medalha. "A competição foi duas semanas depois do Pan de Toronto. Perdemos alguns dias de treino em razão do deslocamento e isso foi fatal para que não alcançássemos nossos objetivos. Mas isso não tirou o brilho do excelente ano que foi", justificou.

Fora da água, Guido, de 28 anos (12/02/1987), vive também um momento mágico. Casado há três anos com Rafaela, o limeirense é pai de Lorenzo, de dois anos e meio. Para alegria, principalmente do pai, o prodígio adora uma piscina e já faz até natação. "Esse literalmente puxou o pai. Só ele mesmo para me levar para a piscina nas férias", sorriu.

E se existe um incentivo maior do que ter um filho, o nadador será papai novamente. Sua esposa está grávida de sete meses. Vei aí a Maria Clara. "Tento ser um espelho para minha família. Farei de tudo por eles", comentou. Guido também é garoto-propaganda e estrela o comercial do Bradesco, vinculado a Olimpíada.

Pingue Pongue

Gazeta - Como foi para você conseguir o índice para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?
Guido - Nado há muito tempo, mas confesso a você que foi o momento de maior tensão da minha carreira. Estava ansioso demais na seletiva de Palhoça. Por mais que eu fosse o grande favorito da prova, eu sabia que não podia errar, pois toda a temporada estava em jogo. Londres me veio na cabeça e por isso, estava nervoso ao extremo. Graças a Deus fiz uma excelente prova e ainda por cima, bati o recorde Sul-Americano. Foi o melhor tempo da minha carreira. Quando tive a confirmação do índice, parece que tirei um enorme peso das costas.

Gazeta - É possível você trazer para Limeira uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?
Guido - Estou esperançoso e treinando muito mesmo. Hoje nado os 100m costas na casa dos 53 segundos, mas preciso baixar para 52 para entrar na briga por uma medalha. Acredito que até a competição do Rio eu consiga. Estou me dedicando ao máximo para conquistar esse objetivo.

Gazeta - Quem serão seus grandes adversários no Rio?
Guido - Hoje, o australiano Mitch Larkin e o americano Matt Grevers estão nadando na casa dos 52 segundos. São os melhores do mundo na atualidade. Eles são favoritos aos primeiros lugares, mas sei que posso melhorar meu tempo e brigar com eles. Esse é o objetivo. Uma medalha olímpica, nem que de bronze, seria o grande sonho da minha vida.

Gazeta - Hoje você é o nono do mundo nos 100m costas, mas uma medalha no Rio de Janeiro pode mudar esse quadro?
Guido - Com certeza. Se eu ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos, pularia facilmente para os três primeiros lugares do ranking. Estou muito confiante e sei que posso conseguir.

Gazeta - O que você precisa melhorar para alcançar uma medalha na Olimpíada?
Guido - Minha saída nos 100m costas é muito explosiva. Mas por outro lado, tenho saído muito fundo. Quero aprimorar, saindo mais reto, sem dar um balão. Nos 15 primeiros metros faço o tempo de 5"90. Se eu conseguir sair reto, baixaria para 5"70. Sendo assim, conseguiria completar a prova na casa dos 52 segundos, tempo que poderia me render uma medalha. Também preciso melhorar a minha virada. No mais, tenho um bom nado e uma boa chegada.

Gazeta - Você pretende perder mais peso?
Guido - Da Olimpíada de 2008 até agora eu já perdi 14 quilos. Pesava 102 e agora estou com 88. Tudo isso fez parte de um treinamento específico. Eu perdia peso aos poucos, até para não perder a força. Foi um grande diferencial na minha carreira. Os resultados começaram aparecer e meus tempos foram melhorando gradativamente. Quero chegar no Rio de Janeiro pesando 86 quilos, ou seja, preciso perder mais dois quilos. Acho que não será problema.

Gazeta - Você tem adversários a altura no Brasil?
Guido - Temos bons nadadores aqui nos 100m costas, mas nenhum deles na casa dos 53 segundos, que é o meu tempo. A segunda vaga para a Olimpíada ainda está aberta. O índice olímpico é de 54"36. Três brasileiros estão próximos, na casa dos 54"50, são eles o Daniel Orzechowski, o Fábio e o Vitor Guaraldo.

Gazeta - Como será sua preparação de janeiro a julho de 2016?
Guido - Treino, treino e mais treino. Me apresento no dia 4 no Esporte Clube Pinheiros. Vou para minha 13ª temporada neste clube. Provavelmente, passaremos por um treinamento na altitude, geralmente na Espanha. A Confederação Brasileira deve marcar alguns treinos com os 20 atletas que já têm índice olímpico. Já em abril, teremos um evento teste no Rio de Janeiro. Vou disputar a seletiva dos 200m costas. Tenho completado a prova em 2 minutos e preciso baixar para 1'58. Pelo meu biotipo e pelo preparo que adquiri, acredito que conseguirei também. 

Gazeta - Disputar uma Olimpíada no Brasil dará aquele friozinho na barriga?
Guido - Sem dúvida. Será um ano muito importante para mim. Competir no Rio de Janeiro aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. A torcida brasileira é um show a parte e nos apoia muito. Te ajuda até baixar o tempo. Ainda bem que já conquistei o índice no fim de ano. Agora tenho mais tempos para focar apenas na competição.

Gazeta - Coaracy Nunes, presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) disse que você será o melhor nadador do mundo no nado costas. Como você se sente?

Guido - O Coaracy me acompanha desde os 15 anos. Ele sempre apostou no meu potencial. Fico feliz que ele sinta que um dia eu possa atingir o topo do mundo nos 100m costas. Ele é um grande incentivador da minha carreira.

Gazeta - Você também tem o nado borboleta como ponto forte?
Guido - Sempre nadei borboleta, mas minha especialidade é o nado costas. Sou o quinto do Brasil nos 50 metros borboleta. Em 2017 pretendo competir nesta prova no Mundial de Budapeste, na Hungria.

Gazeta - Quem é seu grande ídolo?
Guido - Sempre me espelhei no americano Aaron Peirsol, recordista mundial dos 100 e 200 metros costas. Ele parou em 2012 e me deu sua toca de presente. Ele era tranquilo, treinava bem e tinha uma ótima conduta. O Peirsol era um atleta perfeito.

Gazeta - E aqui no Brasil, que nadador te inspirou?

Guido - É difícil escolher um, mas posso afirmar que o Rogério Romero foi muito importante em minha carreira. Ele deu até uma clínica para mim, na minha casa. Esteve em cinco Olimpíadas e ganhou tudo em 10 anos. Ele sempre afirmava que se um dia perdesse uma prova, aposentaria. Foi então que em 2004, no Troféu José Finkel, em Santos, eu o derrotei nos 200m costas. Ele cumpriu a promessa e parou. Ele sempre foi um exemplo.

Gazeta - Em novembro você promoveu um campeonato no Gran São João que levou o seu nome. Foi um sucesso?
Guido - Você não tem ideia de como fiquei feliz com esse evento. Foram mais de 400 crianças. A Odebrecht nos ajudou muito. O próprio técnico Rossano Jacon Chanquetti comprou a ideia e realizou um grande evento. Trouxemos grandes nomes da natação brasileira. Espero fazer uma nova edição entre março e abril, antes da Olimpíada. Nossa expectativa é que mil crianças participem desta vez. Nosso país precisa olhar com mais carinho para a base. Se depender de mim, Limeira terá novos Guidos e novas Natálias.

Gazeta - Para completar, você tem usado bastante as redes sociais para divulgar seus resultados?
Guido - É interessante todo atleta ter sua fanpage. A internet aproxima ainda mais as pessoas e os fãs. Fiz minha fanpage (www.facebook.com/guilhermeguido) e graças a Deus tenho milhares de seguidores. Mas fico feliz com o apoio da Gazeta de Limeira também. Meus pais tem uma pasta com todas as matérias que saíram sobre mim. Só tenho que agradecer e desejar um excelente 2016 para todos vocês.

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